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24/08/2010
O Programa de Artesanato Paraibano da Secretaria do Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba e o Museu Casa do Artista Popular promovem a partir desta quarta-feira (25), a exposição de cerâmica utilitária ‘Quem não pode com o pote não pega na rodilha’, onde serão mostrados potes, panelas, alguidares, pratos, quartinhas, fogareiros, cuscuzeiras, jarras, chaleiras e cumbucas, produzidos por 200 artesãos,oriundos de sete municípios paraibanos.
Estarão expostos trabalhos da premiada mestre artesã Maria José Rodrigues, do Sítio Ligeiro de Baixo da cidade de Serra Branca; da Associação dos Artesãos de Maturéia; da Associação das Louceiras do Bairro São José da cidade de Cajazeiras; da Associação das Negras do Talhado do Quilombo do Talhado de Santa Luzia; dos artesãos Nevinha e Tota de Itabaiana; dos artesãos Israel e Carlos Alberto de João Pessoa e do Quilombo da Cruz da Menina da cidade de Dona Inês.
A mostra será aberta às 18h30 pela presidente de Honra do Programa de Artesanato, Sandra Moura e pela gestora Marielza Araújo com as presenças dos integrantes (técnicos e artesãos) do Projeto Talentos do Brasil do Ministério do Desenvolvimento Agrário que vieram dos doze estados brasileiros para participar de uma oficina de capacitação, promovida em João Pessoa pelo MDA e o SEBRAE, sob o comando da coordenadora do projeto Patrícia Mendes. Na ocasião, haverá uma apresentação especial do grupo musical Cabras de Mateus, sob o comando do músico Chico Ribeiro.
Serviço
Exposição de Cerâmica Utilitária ‘Quem não pode com o pote não pega na rodilha’
Onde: no Museu Casa do Artista Popular – Praça da Independência – João Pessoa – PB
Quando: de 25 de agosto a 25 de setembro de 2010
Horário: de terça a sexta das 9h às 17h, aos sábados, domingos e feriados das 10h às 18h.
Sobre a cerâmica utilitária
A cerâmica, de modo geral, é importante na vida dos povos em várias comunidades do mundo inteiro, pelo seu uso como objeto utilitário religioso ou decorativo. Sua origem data da época primitiva, onde o homem logo após a descoberta do fogo começou a modelar com suas mãos objetos utilitários e religiosos, complementando assim, o seu modo de viver em grupo. Placas com inscrições, objetos de uso doméstico, religioso e fantástico servem hoje de base para a interpretação da história universal. Peças com mais de seis mil anos registram aspectos cotidianos com relação à arte militar, profissional, religiosa e de utilidade, somam um conjunto de obras deixado por nossos antepassados, que facilita entender cientificamente a evolução do homem.
A cerâmica utilitária sempre teve a sua funcionalidade desde os tempos pré-históricos, atravessando mares e oceanos com a mesma técnica do feitio da utilização do barro. O barro é extraído, misturado às vezes com areia e água, amassado com as mãos ou instrumentos até a formação do objeto desejado, sendo cozido, variando de lugar para lugar.
A imaginação e a criatividade do artesão enriquecem a prática artesanal e o modo de confeccionar o objeto depende de cada região brasileira. No Nordeste, a cerâmica é trabalhada e tem características distintas, como observamos em objetos da Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Paraíba. Muitos objetos são comuns como jarros, quartinhas, potes, pratos, cumbucas e panelas, com características próprias nordestinas, porém com detalhes e adornos próprios de cada cultura local.
As formas plásticas utilizadas empiricamente e até mesmo com influência do academicismo, expressam emoção e criatividade e as formas mais primitivas traduzem identidades culturais e regionais de funcionalidade e aceitação coletiva dos povos, mesmo os mais isolados do consumismo e da mídia.
O artesão que trabalha com o barro utiliza várias maneiras para confeccionar seu objeto, tanto com as mãos como com instrumentos rústicos como a roda do oleiro, o torno elétrico, o forno a lenha ou a energia elétrica. Traduzindo uma identidade cultural, o homem perpetua sua sabedoria, fruto de uma herança passada de geração a geração, contribuindo para as ciências humanas, antropológicas, sociais e arqueológicas, firmando um compromisso com o desenvolvimento histórico-cultural da humanidade. (José Nilton da Silva, professor e presidente da Curadoria do Artesanato Paraibano)
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