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30/07/2011
Assumi a presidência da Associação Paraibana de Imprensa (API) no dia 02 de
setembro de 2009, quebrando um tabu de 66 anos. Até então, nenhuma mulher
esteve à frente da entidade. Minha vitória contribuiu para o empoderamento de
mais uma mulher, embora nunca tenha feito cavalo de batalha com a minha condição feminina.
A API poderia estar bem dirigida por um negro, um homossexual, um hétero, o que credencia uma pessoa, não é o gênero, a raça,nem sua orientação sexual, mas a história de luta.
Em quase dois anos de mandato, venho tentando resgatar a credibilidade de uma
entidade que já teve papel decisivo na construção da Democracia. Na época da
ditadura militar foi invadida e nem por isso, seus dirigentes se renderam à
força do poder tirânico, pelo c ontrário, resistiram bravamente. Meu compromisso é, no presente, honrar o passado.
Antes de chegar à presidência da API, nunca militei em movimentos sociais,
feminista, estudantil. Minha luta foi sempre contra mim mesmo, para não me
deixar vencer pela vaidade, pela sedução do poder, pelo dinheiro fácil que chega
através das negociatas sujas e para me livrar do alvo dos inimigos declarados e
ocultos que tentam sugar nossas forças, fazendo acreditar que somos fracas e que podemos ser vencidas pela sordidez e maledicências. É assim que consigo ficar blindada e resistir.
Mesmo sem uma participação popular que deveria ter sido mais ativa, minha visão de mundo, que parecer ser individualista, não se distanciou do coletivo. Sempre reneguei injustiças sociais e quando decidi conquistar um lugar ao sol, não foi encostando-me à sombra dos outros.
Agora estou presidenta da API, vivendo uma nova fase de experiências ricas,
provando do veneno dos incautos e o antídoto dos mais cautelosos em seus
julgamentos. Ao me posicionar, tenho a clareza dos interesses que movem as
cobranças, mas não me deixo levar pelo maniqueísmo de quem é do bem e quem é do mal. “Existem três verdades, a minha, a sua e a dos outros”. As críticas e os
elogios são aceitos com a mesma tranqüilidade que rege minha consciência. Não
deixarei de me pronunciar em defesa da categoria e da liberdade de imprensa
sempre que achar necessário.
Quando nos posicionamos, contrariamos interesses explícitos e implícitos. Cresci vendo meu pai tomar decisões de magistrado. Quando absolvia um réu, era festejado pela parte interessada, quando condenava, era praguejado. As
manifestações que tenho recebido favoráveis ou contra minha gestão são imbuídas, ora pela admiração, respeito e amizade, ora pela inveja, ressentimentos, mágoas passadas, ódio e paixões políticas. Tudo isso faz parte da condição humana.
“O buraco não é mais embaixo”, é aqui mesmo na API.
Marcela Sitônio.
Haceldama Borba


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