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28/07/2010
Um texto interpretado como de conteúdo pejorativo e depreciativo de autoria do professor Adriano de Leon (Coordenador do curso de sociologia da UFPB) recebeu fortes críticas da deputada estadual Iraê Lucena (PMDB). Sob o título “Enquanto isso as mulheres na política” o artigo foi publicado no blog pessoal do professor. A mensagem, segundo a deputada, se configura num desrespeito à mulher paraibana pelo conteúdo considerado “chulo” e “desrespeitoso”.
Conforme Iraê, a mulher paraibana merece todo o respeito pela luta pessoal que tem travado contra a violência familiar e ainda contra a brutalidade com que é tratada no seu cotidiano. A deputada disse que opiniões como a do professor universitário não expressam, em nenhum momento, o papel da mulher na vida social, política e econômica do Estado da Paraíba. Mas não foi apenas a deputada quem teve uma reação adversa contra a opinião do professor de Leon.
A jornalista Marcela Sitônio, presidente da Associação Paraibana de Imprensa (API), disse que opiniões que procuram macular a imagem da mulher precisam ser respondidas à altura. “A paraibana é uma incansável batalhadora contra as injustiças que lhes são praticadas em casa, na rua ou em qualquer lugar. Não devemos, de maneira nenhuma, aceitar caladas que esse tipo de opinião pejorativa passe a integrar uma opinião comum, como se a mulher não tivesse vontade própria e nem importância para os diversos segmentos dentro da sociedade em que está inserida”, disse Marcela.
Vejas as considerações do professor e da presidente da API, Jornalista Marcela Sitônio
Cara Sra. Marcela Sitônio:
Estava na biblioteca da abadia d´O Nome da Rosa, o frei Guilherme de Baskerville e seu discípulo Adso de Melk. Eis que um rato passa por entre as estantes dos livros e um dos monges tradutores solta um grito de medo. Todos os monges do recinto caem numa risada frouxa. Eis que adentra ao recinto o Venerável Jorge, monge austero de grande prestígio entre os dominicanos. Aos gritos, ralha com os monges pela risada à solta. Diz que o riso é próprio dos macacos, próprio do diabo. O frei Guilherme discorda, dizendo que rir é próprio dos homens.
O riso é a maior revolução. É salutar rir de si mesmo, desta academia. Rir de nós homens, das mulheres, dos liberais, dos políticos, dos santos. Rir é proposta do meu blog, pois como me descrevo nele “sou apenas um gaiato”. O bom humor é saudável. Como pedir uma atitude policamente correta de Zé Simão, de Millor, de Nani ou Angeli? A API é contra a livre expressão? este é um blog pessoal, não é um veículo de comunicação em massa.
Temo os policamente corretos que se comportam como os censores dos tempos de ditadura. Afinal, a censura primeiramente calou os comediantes, depois os artistas. Só depois os professores e os militantes. Muita moral que achei já estar superada.
Com um clique de um mouse é possível escolher entre ler algo ou não. Odeio os politicamente corretos, pois me soam como os monges que envenenaram um livro que falava sobre o riso. Sepultar o riso não me interessa.
Adriano, o policamente incorreto
Aproveitem o dia!
Caro Sr. Adriano de León.
Muito interessante a observação do frei Guilherme de Baskerville, personagem de Humberto Eco, sobre o riso. Mas desculpe minha incompreensão em contextualizar o que foi transcrito, o que está em questão é a sua ou a minha capacidade de sorrir ou chorar? Concordo plenamente que “o riso é a maior revolução”, tem até quem rir de sua própria desgraça ou da falta de graça.
Depois que recebi seu e-mail fazendo apologia ao bom humor, fiquei pensativa. Será que eu, assim com as demais pessoas que discordaram do conteúdo postado em seu blog sobre a participação da mulher na política, precisamos nos submeter a uma “risoterapia” porque não enxergamos nada de engraçado no que foi escrito pelo senhor?
A API não é contra a livre expressão. Enquanto presidente da entidade, em momento algum defendi que seu post fosse retirado do blog, aliás, o que seria configurado censura. Aliás, nem sabia da existência dele. Recebi o texto de sua autoria através de uma lista de discussão e repassei para nosso mailling, compartilhando minha indignação como se referiu as mulheres. De minha parte, não houve nenhum moralismo ou censura, e sim, um repúdio ao descaso como trata a questão de gênero na política partidária.
Constitucionalmente, o senhor tem garantido o direito de se manifestar livremente sobre qualquer assunto e eu tenho o mesmo de discordar. Nenhuma lei determina o bom senso, ele vem da capacidade de cada um analisar que tipo de contribuição pode ser dada quando se emite uma opinião, principalmente, quando a fonte é um educador, formador de opinião. Em algum momento pensou em ler aquele texto em sala de aula? Por favor, não preste um desserviço à luta das mulheres pela ocupação de espaço na democracia representativa.
Se a proposta do seu blog é provocar risos nas pessoas, conforme o senhor mesmo define, pois se descreve nele “sou apenas um gaiato”, deve ter acordado sem inspiração humorística no dia em que postou aquele comentário que considero infeliz, jocoso, preconceituoso e sem graça.
Acho os termos “politicamento correto”, “ecologicamente correto”, “politicamente incorreto”, um modismo dos intelectualóides. Não me enquadro em nenhum deles, sou apenas uma cidadã, tentando cumprir com minhas obrigações, sabendo que sou passível de erros e acertos e observando o mundo com respeito às diversidades. Nunca encarnei o papel de defensora da moral e dos bons costumes.
Tem razão quando diz que com um clique de um mouse é possível escolher entre ler algo ou não. Eu escolhi ler seu post e discordei do que estava escrito. Se não está preparado para receber críticas, não manifeste opinião. Seu blog é particular, mas a ambiência é de domínio público.
Também a mim não interessa sepultar o riso. Vou continuar sorrindo sempre, mas sem que ninguém determine o que devo achar engraçado. lamentavelmente, seus títulos acadêmicos não lhe credenciam a encarnar o tipo debochado e gaiato, talvez precisasse repensar um meio de ser mais humorístico.
Meus cumprimentos,
Marcela Sitônio.
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MARCELA PRESIDENTE.
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Texto de professor universitário sobre mulheres na política é alvo de repúdio
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