(0) Comentário
28/10/2010
“A imprensa será morta como será
morto um povo: dando-lhe a liberdade.”
Honoré de Balzac, escitor francês
Achei que eu estivesse me enganado, mas lendo com mais cuidado as notícias acerca da criação dos tais Conselhos Estaduais de Comunicação vi que até jornalistas são favoráveis a eles (aos Conselhos). Foi aí que percebi que a situação é mais grave do que se imagina. Senão vejamos. Em nome de uma “ideologia facciosa” se aceita, agora, e de bom grado, que o jugo do poder seja posto sobre o pescoço de quem, por tradição, sempre caminhou lado a lado com os movimentos sociais pela democracia. O que houve, então? Só agora identificamos diferentes matizes para aquilo que chamamos de “liberdade de expressão”? Não, nao. Não acredito nisso. Creio, sim, na força propulsora que pôe em lados opostos pensamentos que estão separados unicamente por afinidades ideológicas. É a máxima de que “quem está no poder pode tudo”. E assim caminhamos para mais um capítulo da vida brasileira em que “se dá um vintém para se ter um milhão”.
Ora, o jornalista deveria ter a consciência necessária de que o produto que sai dos “neurônios” dele produz efeitos (de maior ou menor grau) sobre toda uma conjuntura social. São diferenciais visíveis quando comparados a outras profissões. A informação se materializa na construção dos fatos que são passados à opinião pública. Esta a digere, a analisa e absorve o conteúdo nela inserido. Basta observar o funcionamento das Bolsas de Valores (de Nova Iorque, de São Paulo, de Frankfurt, de Tóquio etc.) para se ter uma ideia do poder da informação. Uma notícia favorável, e os índices disparam; uma notícia ruim, e eles despencam. Outro exemplo é a divulgação de pesquisas de opinião pública em período eleitoral. A quem vai favorecer o resultado da pesquisa? Respondo: a quem a contratou. Portanto, “ladies and gentlemens”, essa história de que os tais Conselhos estão vindo para “democratizar” é pura linguagem de retórica. A intenção é subliminar. Eles fazem parte, sim, de um processo lento e progressivo cuja finalidade última é “habituar” a opinião pública brasileira a viver sem Imprensa (ou quase isso), onde o Estado impõe suas vontades, com os meios de comunicação se resumindo a apenas um veículo impresso. Não é assim em Cuba? Chávez não está fazendo o mesmo na Venezuela? E na Coreia do Norte? Na finada União Soviética o povo tinha de se contentar com um único jornalzinho: o Pravda.
Não é preciso dizer que Conselhos como o que querem para os meios de comunicação podem ser objetos de fácil manipulação por quem ocupa a cadeira de governante. Verdade ou mentira? Ademais, Conselhos como o que está sendo aqui discutido podem se constituir numa “espada de Dâmocles” (ler artigo “A Imprensa e a ‘espada de Dâmocles” neste blog). E se o Conselho tiver poder de decisão? O que poderia ocorrer com o jornalista “adversário”? Com a palavra, Lula da Silva e seus pupilos.
Aliás, Lula nem precisa de Conselhos para calar a Imprensa. Entendeu, né?
Nonato Nunes


API - Associação Paraibana de Impresa 2009-2011 | Todos os direitos reservados. | Login