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25/03/2011
Nos últimos anos tenho ouvido, insistentemente, apologias acerca do “boom” de desenvolvimento econômico do Brasil com os seus consequentes “benefícios” para a população brasileira. Mas porque será que os fatos insistem em desmentir as versões. Das duas uma: ou estou em “coma”, como bem disse um petista amigo meu, ou o Brasil realmente é a maravilha que apregoam… Mas há uma realidade evidenciada pelas estatísticas policiais, pelo noticiário do rádio, da TV, da internet e dos jornais, e, sobretudo, pelos registros em hospitais do país inteiro. São imagens – acredito eu – bem reais, pois mostram, diariamente, jovens sendo assassinados, famílias chorando a perda de algum membro, assaltos e sequestros, a proliferação das drogas, e garotas em idade escolar se prostituindo nas ruas dos grandes e médios centros do país. Será que estou mesmo “vendo coisas”?
Ao longo desta semana o noticiário nacional “brindou” leitores, telespectadores e internautas com duas informações que simbolizam uma realidade bem presente: policiais atirando à queima-roupa num adolescente e um homem que morreu a caminho do hospital, em Fortaleza, sendo conduzido em um carrinho de mão. A cena dos policias já é algo corriqueiro num país construído sob o signo da violência, mas a segunda choca porque temos “um dos melhores serviços de saúde pública do planeta”. Aliás, o nosso sistema de saúde pública estaria em vias de ser copiado pelos Estados Unidos da América. Bem até aí nada demais, pois o Tio Sam nem precisaria se esforçar tanto para conseguir nos imitar. Quem viu o documentário “Sicko”, dirigido pelo polêmico cineasta Michael Moore, assistiu à deprimente cena de uma senhora que foi “despejada” no meio da rua porque não dispunha de plano de saúde. A diferença é só o transporte: lá mandam deixar de táxi, aqui, de carrocinha.
O “paciente da carrocinha” era o cidadão (cidadão?!) Antônio Sérgio Dantas Teixeira, de 49 anos. Ele havia se sentido mal e os familiares acionaram o serviço de emergência. O Samu não apareceu. O jeito mesmo foi conduzir o pobre homem num carrinho de mão, desses que a construção civil usa nas obras. O irmão de Antônio Sérgio explicou que não havia mais como esperar o Samu e a única solução encontrada foi tentar chegar ao hospital levando o paciente no velho carrinho de mão da família. Resultado: não houve tempo suficiente e seu Sérgio morreu no meio do caminho. Segundo os primeiros exames, de causas naturais. Alguém do Samu tentou explicar todo o imbróglio: “Chegamos, mas eles já haviam saído.” Pergunta deste blognauta: Será que o carrinho de mão andou tão veloz assim que não deu tempo a ambulância encontrar os dois irmãos pelo meio do caminho?
Alguém me diga que estou errado…
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Nonato Nunes


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