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    28/11/2011

    Prisões pirotécnicas

    Nem o espocar dos fogos de artifício de Copacabana consegue um efeito tão pirotécnico quanto as recentes prisões das “damas do colarinho branco”. O que ocorreu em São Paulo e em Alagoas faz parte de uma encenação policial e jurídica que, ao final, têm o mesmo efeito de uma medicação vencida. Quando manda policiais às casas desses indivíduos e os trazem sob algemas o Estado brasileiro busca os holofotes dos meios de comunicação como forma de atrair plateia. Para o povo-massa ali estão de um lado os heróis (os agentes do Estado) e do outro os bandidos (aqueles que assaltam os cofres dos municípios).

    Há bem poucos dias o Rio fez uma festa após a prisão do narcotraficante Nem. E imediatamente o chefe do tráfico na Rocinha foi mandado para uma prisão federal. Mas qual a diferença entre quem desvia a merenda escolar de crianças pobres e aquele que trafica drogas? A meu ver a diferença está apenas na natureza do crime, pois seus efeitos sociais são basicamente os mesmos. Mas um vai para a prisão, e o outro, para a casa. Quantos desses chefes de quadrilha, diplomados como prefeitos, são reconhecidos como notórios bandidos, mas que têm suas candidaturas aprovadas pela Justiça… Pelo país afora podem ser encontrados certos governantes municipais que comprovadamente dilapidaram os cofres públicos, desviaram verbas, construíram patrimônios incompatíveis com o que ganham, roubaram a merenda escolar, mas que acabaram sendo “presenteados” com a impunidade. É a certeza de que “o crime compensa”.

    A pirotecnia de tais prisões é o que se pode tachar de “obra de fachada” com a qual o Estado brasileiro busca algum reconhecimento público. Ocorre que o cidadão dispensa esse show. O que ele quer mesmo é a devolução, centavo por centavo, de tudo o que foi roubado. Seria bem interessante que se fizesse um levantamento sobre tudo o que já foi devolvido ao país pelos ladrões do colarinho branco. Tenha certeza o caro leitornauta que a quantia devolvida será milhões de vezes inferior à que foi  roubada (se é que já houve alguma devolução). Tudo bem, as “damas do colarinho branco” foram presas, levadas a uma delegacia, prestaram seus depoimentos e foram liberadas. E depois? Serão condenadas algum dia? Conhecerão o chão frio de uma prisão? Devolverão algum centavo do que foi roubado de crianças que não têm creches, escolas, merenda? Trocarão suas pulseiras de ouro por algemas?  

    Na China e em alguns países que levam a sério a coisa pública crimes como os cometidos por tais ladrões são cobrados com a execução pura e simples. Como não temos o instituto da pena de morte (mas o da morte sem pena), o mínimo que o Estado brasileiro podia fazer era cobrar – sem piedade alguma – a devolução de tudo o que fora afanado do patrimônio público.

     Mas quando iremos ver isso?  Com a palavra, a lei.

     Um abraço e até a próxima.

     

     

     

     

    Nonato Nunes



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