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31/08/2010
A política paraibana tem acentuado, nos últimos anos, um forte e poderoso perfil dinástico no que se refere ao domínio dos principais cargos eletivos. É um sinal claro de que as alianças políticas, baseadas apenas na formação de grupos nomeadamente heterogêneos, já não são suficientes. A representação parlamentar passa, agora, a ter uma forte e decisiva função unificadora a partir do elemento familiar. Isso significa não apenas mais prestígio, mas também uma ostensiva demonstração de força e domínio na base política onde atuam. A vinculação familiar a partir da eleição de pelo menos um representante com sobrenome tradicional tem o hipotético poder de coesão da estrutura política montada. Isso se explica pelo fato de a presença desse elemento em meio ao grupo de base heterogênea se configurar como uma espécie de “ímã” para o qual são atraídos os que estão ideologicamente afinados com a família representada.
Outro fenômeno verificado nos últimos anos – e aparentemente mais acentuado nas eleições de 2010 – é a concorrência de membros mais jovens de cada família tradicional aos assentos da Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Antes o “rito de passagem” desses mancebos era realizado nas Câmaras Municipais. Ali, em meio aos demais colegas do chamado “parlamento mirim”, o “tribuno da plebe” (em sentido moderno, claro) ensaiava os seus primeiros passos num processo de maturação que durava algum tempo. Findo o “estágio” (de quatro ou oito anos – ou até mais – conforme as vontades do patrocinador e da capacidade do aprendiz), o mancebo ganhava a experiência necessária para subir para o degrau seguinte. Aí já poderia ocupar um assento no poder legislativo estadual, pois já estava apto para embates que exigiam maior experiência política – e de vida. E assim os níveis iam sendo alcançados de acordo com o que aprendera com o tempo.
Hoje se percebe que as famílias mais tradicionais do Estado tendem a “adiantar” tal processo. E aí pode estar em jogo a questão biológica. Pode ser que algumas dessas velhas lideranças tenham percebido, de repente, que o número reduzido de filhos (e filhas) pode ser um problema para a “herança do mandato”. Assim os lança nessa “aventura” na qual a única garantia está no nome da família e no dinheiro de que dispõem. São conscientes de que seus filhos são muito jovens para assumir tal encargo, mas não têm outra opção entre os familiares, pois “os-de-fora” têm de ser descartados. O jeito mesmo é buscar uma “solução caseira” para o problema da “sucessão do mandato”. Confiar em estranhos, jamais. Essa pode, assim, ser uma das luzes para explicar a razão de tantos “garotos” mal saídos da adolescência estarem agora “legislando” em nome de um eleitorado famélico, inculto e desnorteado. A outra possibilidade está mais centrada no âmbito da própria relação com o grupo aliado. Ao lançar um nome familiar para a sucessão do mandato fica a suspeita de que nenhum nome do grupo de base familiar merece tamanha honraria.
Uma solução familiar para o caso em questão pode, porém, trazer dissabores para a unidade do grupo. Aí acontece a velha diplomacia baseada nos conchavos. O menino se manterá candidato, mas algumas “sobras de eleitorado” serão “dadas” aos insatisfeitos. E assim a solução logo é achada quase que num piscar d’olhos. Mas observe o caro leitornauta que foi mantida a solução caseira para a sucessão do mandato deixado pela velha raposa política. Quem quiser se manter “sob a proteção” do “cacique” tem de se enquadrar dentro da realidade imposta.
Por aí se vê que “empreguinho” em Câmara de vereadores já não apetece tanto. O negócio é mais em cima.
Nonato Nunes


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