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    22/03/2011

    Obama e o Bric

    Bric é a sigla para Brasil, Rússia, Índia e China. Pois bem. Esses quatro grandes países são mercados em expansão sobre os quais os Estados Unidos e a Europa não têm apenas interesses econômicos, mas também estratégicos. Nos últimos anos o Brasil tem declarado interesse em ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Esse pleito brasileiro já se arrasta há anos e os EUA, aliados de peso quando o assunto é geopolítica, adotaram a estratégia de morder e assoprar.

    Ora, os americanos têm dado provas de que não confiam no “Brasil petista”. E por que isso acontece? Não é segredo que as Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) sempre contaram com a irrestrita simpatia do ex-presidente Lula. Isso pôs o Brasil na conta de “país suspeito” por colocar em xeque a política americana de combate ao narcotráfico, que tem nas Farcs um dos maiores produtores mundiais de cocaína refinada. Mas a lista de razões para a “antipatia velada” de Washington à ideia de o Brasil ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança não para por aí. Lula, quando presidente, assistiu, com estranha passividade, as ações do exército boliviano contra as refinarias da Petrobras. Evo Morales, assim, desafiava o Brasil a tomar uma atitude para salvaguardar os interesses da estatal brasileira. Lula cruzou os braços. A diplomacia brasileira continuou “fazendo gol contra” com os mimos ao ditador Khadafi, que agora atira contra alvos civis e faz ameaças. Querem mais? Lula se agachou perante o ensandecido Hugo Chávez, repetidamente acusado de abrir as fronteiras da Venezuela para abrigar terroristas das Farcs. Agora, como se não bastasse, a substituta do ex-presidente apela em favor de Khadafi quando condena o uso da força contra o tirano líbio. A senhora Dilma deveria, ou não se pronunciar, ou então fazer tal apelo ao próprio Khadafi. Ah, tem ainda o tal Armadinejadi, aquele senhor que costuma se divertir atirando na população e ameaçando o mundo com armas nucleares. Ih… a lista não para. Não devemos esquecer o ditador Fidel Castro, que mata prisioneiros por inanição e mantém Cuba, tecnologicamente, na Idade da Pedra Lascada.

    Já a Índia conta com muitos pontos a seu favor para obter a vaga no tal Conselho. O principal aspecto favorável ao “país dos brâmanes” tem razões estratégicas. Os americanos procuram um ponto de apoio na Ásia para barrar a expansão chinesa. E essa muleta diplomática e econômica pode estar na Índia, que ainda teria o papel de ser uma alternativa dos americanos contra o Japão numa guerra comercial que já dura décadas.

    Portanto, senhoras e senhores, a vinda de Barack Obama ao Brasil foi um recado curto e grosso: ou nos enquadramos, ou o assento no Conselho de Segurança será ocupado por algum “marajá”.

    Tá dado o recado.       

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    Nonato Nunes



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