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    21/03/2011

    O “rei” e seus vassalos

    Arrumem a casa que o ”rei” vem aí. Limpem tudo, deem brilho nos móveis, enfeitem as ruas, removam os mendigos, pintem o meio-fio, afastem os ladrões, levantem o tapete e escondam o lixo e tapem os buracos. Mostrem do que somos capazes. Ladies and gentlemens, vistam suas melhores roupas. Os homens devem retirar seus smokings dos armários. Já às mulheres é aconselhável porem os seus brilhantes, suas jóias, seus melhores vestidos e que carreguem na maquiagem, pois precisamos mostrar a eles que também somos um país civilizado, e, como diria o austríaco Stefan Zweig, ”do futuro”. Nem pensem em fazer mimos, pois isso pode ser interpretado como uma artimanha para furtar alguma coisa do rei. Os homens devem bater palmas. Já as mulheres podem chacoalhar suas jóias.

    As determinações devem ser milimetricamente seguidas. Cada empregado tem de saber exatamente o que fazer quando o rei chegar para a visita. Ah… cuidado com o tapete vermelho no qual aqueles “santos pés” irão pisar. Nada de pontas dobradas, sujeiras ou dobras no tecido. Sim… e ninguém pode pisá-lo antes dos “nossos senhores”. Outra coisa: sorriam. Como bem dizia a velha e boa revista americana Seleções (Reader’s Digest), “Rir é o melhor”. Mas cuidado: rir de maneira exagerada pode ser entendido pelos “escudeiros” de sua “majestade” como uma afronta a quem “tantos benefícios nos tem feito”. Sorria apenas para demonstrar alegria e jamais para desagradar ao patrão. Isso, sim, é ser “civilizado”.

    Lembrem-se: o patrão é exigente. Não toma da nossa água, desconfia da nossa comida e não está nem aí para os pobres empregados que cuidaram da recepção dele. Hum… e nada de circular por aí com nossas “carroças”: o patrão traz a sua própria (digo, o seu próprio…), pois teme que uma peça com defeito possa nos privar, prematuramente, “da honra de abrigá-lo no nosso solo tupiniquim”. E nem tiro a razão dele. Imagine que no país onde há uma “Lei seca” temos os motoristas que mais dirigem embriagados… Palmas para os “mosqueteiros” do patrão. Mas, cá pra nós, isso não cheira à paranóia? Pois é.  A propósito: como é mesmo o nome daquele patrão que foi morto em Dallas? Ah, e teve outro que foi morto num teatro, não foi? E pelo que sei não foi pela nossa água, nem pela nossa comida, e muito menos por um dos nossos motoristas embriagados… Ah… e nem por uma das nossas guerrinhas do narcotráfico.

     Enfim, Obama nas alturas 

     

    Nonato Nunes



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