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26/02/2011
Os argumentos foram os mais variados para justificar a ação khadafiana contra o aeroclube de João Pessoa. Uma dessas alegações absurdas foi a de que o pouso das aeronaves ofereceria perigo para pessoas e residências. Bem, tomando por base o raciocínio lógico temos de impedir todo e qualquer trânsito pela avenida Epitácio Pessoa. Ora, se a desativação do aeroclube tem por embasamento a ameaça de acidentes, então teremos de proibir também o trânsito de automóveis pela Epitácio. Afinal, desconheço um único acidente causado pelo aeroclube, mas incontáveis são registrados quase que diariamente na mesma avenida. Da mesma forma que se a lógica da desativação for mesmo a do perigo, então vamos acionar o Ministério Público para desativarmos o aeroporto Castro Pinto. Observaram por onde aquelas gigantescas aeronaves trafegam?
O que me chamou a atenção na ação contra a pista de pouso do aeroclube da capital foi a forma como a coisa toda aconteceu. A velocidade como tudo foi feito sugeriu que havia uma ansiedade latente por parte dos seus executores. Imaginei a seguinte cena: máquinas em funcionamento e estacionadas nas proximidades, condutores ansiosos e esfregando as mãos para o cumprimento do ato, e os autores intelectuais da ação suando frio e de dentes cerrados para assistirem a mais uma tragédia brasileira. Ato final: uma cena típica da insanidade de um Idi Amin Dada, de um Muamar Khadafi, de um Anastácio Somoza, de um Emílio Médici ou de algum esbirro de polícia ensandecido e inebriado por “antigas lições” de “morrer pela pátria e viver sem razão”.
O ataque ao aeroclube de João Pessoa foi apenas mais um capítulo num histórico de arbitrariedades que passou a fazer parte do cotidiano do cidadão pessoense nos últimos anos. Numa “democracia” como a nossa, eivada de vícios e hipocrisias, é mais recomendável dar aparência de legalidade a certos atos. Funciona como uma cortina de fumaça que encobre tudo o que é visível a olho nu. Tal estratégia vem dando certo desde o Descobrimento do Brasil, passando pela ficção do Grito do Ipiranga e culminando com o nascimento de uma República proclamada por um marechal que mal sabia onde estava se metendo.
E assim, caro leitornauta, o brasileiro vive agora uma nova fase na sua conturbada história interna. Estamos ingressando na “história dos culpados”.
Nonato Nunes


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