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24/02/2011
Havia algum tempo não frequentava sua livraria. De passagem pela galeria Augusto dos Anjos decidi que era hora de fazer uma breve, mas profícua, visita ao velho amigo. Afinal, os livros sempre fizeram parte da minha vida e da dele. Eis que entrando pela galeria (rua Duque de Caxias), caminhei direto para a porta pela qual eu estava habituado a entrar no estabelecimento dele. Certo de que me encontrava no lugar certo, dei de cara com “estranhas” figuras femininas. Algumas tinham máscaras no rosto; outras mantinham os cabelos no secador; algumas “fazendo” as unhas; havia ainda as que aguardavam sua vez confortavelmente sentadas, lendo revistas de fofocas e/ou vendo televisão. Tive um susto e dei meia-volta, afinal eu era “um estranho naquele ninho”. Entrei noutra porta. A mesma cena. Outro susto. Pensei mesmo em desistir. “Será que a livraria havia mudado de lugar ou não existia mais?”, pensei.
Finalmente, após três tentativas, encontrei o senhor pelo qual procurava. Estava ele lá, como de costume, sentado atrás de um balcão que ficava (fica) nos fundos da livraria. Logicamente que não me furtei de perguntar ao proprietário o que havia ocorrido com “O tamanho do estabelecimento”. E ele, quase se dando por vencido, me respondera que os tempos eram outros. O comércio de livros já não garantia mais as despesas. Para sobreviver precisara se adaptar aos “novos tempos”. Assim decidira transformar em salas comerciais parte substancial daquela que fora a maior livraria (em tamanho e em variedade cultural) da cidade de João Pessoa. Aquela redução de espaço denunciava que a inteligência estava sucumbindo perante a vaidade. Prevalecia a “cultura pé de chinelo” em detrimento daquela que enobrece o homem e enleva os espíritos.
Pouco tempo depois dessa minha visita fui informado de que aquele velho livreiro, de esmerada educação e falar tranquilo, havia falecido. Mas homens como ele e José Mindlin são imortais, pois os homens se eternizam pela cultura que espalham, jamais pela opulência que ostentam.
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No próximo sábado, dia 26, às 10 horas, a Livraria do Luiz abre suas portas para uma homenagem especial ao seu fundador. Intelectuais e antigos clientes participarão do evento, que será marcado pela aposição de uma imagem em tamanho significativo do homem que a criou. São aguardadas as presenças dos escritores Agassiz Almeida, Assis Lemos,Yanko Cyrillo, além de jornalistas e intelectuais paraibanos. O evento terá ainda a presença do advogado paraibano Waldir Fernandes de Oliveira, hoje radicado no Estado de Goiás.
(por Nonato Nunes)
DE QUEM FALO
O livreiro Luiz Carvalho da Costa nasceu na cidade de Caiçara, no Estado da Paraíba, em 29 de dezembro de 1919, vindo a morar em João Pessoa aos 18 anos. Seu primeiro emprego na capital foi como vendedor de tecidos das Lojas Preferidas, onde ocupou essa função por mais de 30 anos, vindo a ser gerente da citada empresa. Conhecido como “Seu Luiz”, após sua aposentadoria, e com recursos recebidos de sua indenização e algumas economias, fundou, em 1972, a primeira livraria de livros técnicos do Estado da Paraíba, denominada de Cultural de Livros Paraibana, popularmente conhecida como Livraria do Luiz, em virtude do seu fundador. A Livraria do Luiz teve grande importância no desenvolvimento acadêmico e intelectual de nossa sociedade, pois, além de ser a primeira na venda deste segmento, foi o seu fundador um grande incentivador e facilitador para a aquisição deste material em nosso Estado.
(Escrito por Ricardo Pinheiro – Livraria do Luiz)
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Nonato Nunes


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