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    07/11/2011

    Erros flagrantes na morte do cinegrafista

    Ao vivo do campo de batalha” foi um dos melhores livros que já li acerca de coberturas de guerra. Escrito pelo experimentado jornalista neozelandês Peter Arnett, Ao vivo… conta a atuação dele na guerra do Vietnã.  Rica em informações, a publicação revela em detalhes os perigos a que o jornalista se expôs na busca pela fidelidade daquilo que seria levado ao ar pela rede de TV para a qual trabalhava. O livro traz ainda informações importantes acerca da atuação dos jornalistas americanos na guerra contra o Vietminh. Foi no livro de Arnett que encontrei a informação que identificava o verdadeiro autor de uma foto que correu o mundo. Quem não se lembra da imagem em que um oficial sul-vietnamita aparece encostando a arma no ouvido de um vietcongue. A cena foi um flagrante do repórter-fotográfico Ed Adams. O oficial teria atirado à queima-roupa diante de várias testemunhas, inclusive do jornalista que fez a fotografia.

    Pois bem. O livro também traz algumas dicas importantes para o profissional de imprensa escalado para fazer coberturas de guerra. Uma das regras diz que o jornalista deve se vestir como um soldado. Conforme o Manual de Sobrevivência na Guerra que circulou por entre os jornalistas, esse recurso fazia com que o profissional de Imprensa não se tornasse um alvo fácil para os franco-atiradores do Vietnã do Norte. Segundo o entendimento de quem escreveu o Manual, os atiradores tendiam a mirar no alvo diferenciado. Dizem que tais dicas salvaram muitas vidas na guerra do Vietnã. O próprio Peter Arnett revela, no livro, que no início não achou que fosse de grande utilidade um manual do tipo, mas depois mudou de ideia. Outra dica era nunca ir para o campo de batalha sem o capacete de aço (o livro contém imagens em que o leitor mal dá pra diferenciar Arnett de um soldado americano).

    E no Brasil? Quem observar a atuação dos policiais nas favelas do Rio de Janeiro vai perceber um erro flagrante: nenhum deles usa capacete de aço. Será que eles têm a cabeça mais dura do que os caras do Exército? O mesmo ocorre com os jornalistas. A morte do cinegrafista da Tv Bandeirantes, Gelson Domingos, revela que coletes simples já não protegem o jornalista das armas usadas pelos bandidos. E, assim como os policiais, o pessoal de imprensa também não protege a cabeça, como se as balas que vêm dos morros fossem de festim. E assim fica essa dúvida acerca do porquê de policiais e jornalistas não se protegerem como deviam quando em ação nos morros cariocas.

    Fica o aviso: as armas que estão nas mãos dos bandidos não são de brinquedos e nem as balas são de mentirinha. E valem as dicas do livro de Arnett.

    Um abraço e até a próxima.

     

    Nonato Nunes



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