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23/06/2011
Dois dos fatores mais significativos para a destruição de uma sociedade estão nas atitudes agressivas de cada indivíduo e no desrespeito às leis. A sociedade brasileira vive um drama que se centraliza na desconstrução da cidadania ao “coisificar” o ser humano, transformando-o em objeto descartável. E esse “monstro” ganha novos matizes quando as autoridades perdem as rédeas e “desinstitucionalizam” o Estado ao prevaricarem no exercício do cargo. Isso cria um “efeito cascata” na pirâmide que hierarquiza e estratifica a sociedade. O mau exemplo de quem está no estrato imediatamente superior é fielmente seguido pela camada posicionada logo abaixo.
Nos últimos tempos (e em tempos bem remotos também) o brasileiro tem convivido com um verdadeiro culto à violência. Uma imagem que me chocou foi a de um corpo estendido no chão e crivado de balas (em João Pessoa), um monte de policiais ao redor dele, e, como se não bastasse, havia ainda uma senhora com um bebê de colo nos braços. Ela transitava próximo à cena como se aquilo fosse equiparado a um ato como abrir a janela e ver o Sol nascer. Isso significa que uma criança crescida num ambiente doentio como aquele em que vive fatalmente vai dessensibilizá-la para toda vida. Corpos estendidos pelo chão passam a fazer parte da paisagem tendo o mesmo significado de um animal pastando ao longe.
A humanidade é, por necessidade, violenta. Parecemos nos odiar porque nunca aprendemos com o passado, pois o passado vive e reina, assim como a própria natureza criminosa que existe em cada um de nós. Mesmo assim não partilho do pensamento de que a situação de pobreza conduz à violência. Digo isso com base em dados internacionais que comprovam ser o Brasil o 9º país mais violento do planeta. Já a Índia, um país de população igualmente pobre e pelo menos seis vezes maior que este, ocupa a 57ª posição no ranking da violência. Acredito que isso se deva a dois fatores: o primeiro diz respeito à prática da espiritualidade do seu povo, e o respeito à autoridade paterna. Opiniões de brasileiros que vivem em cidades como Nova Délhi e Bombaim informam que ali o máximo que pode haver é o sujeito ser ludibriado em alguma compra, mas jamais terá uma arma apontada para a sua cabeça no meio da rua ou em algum estabelecimento comercial. Em tempo: a Índia, tal qual o Brasil, é um país onde os índices de corrupção são estratosféricos.
No nosso caso específico há uma cumplicidade do Estado com toda essa onda de violência, pois em não atuando com o rigor que a situação exige contribui sobremaneira para esse culto à violência, algo quase que religioso por aqui. O mais grave é que não há mais como controlar a barbárie que domina e destrói a sociedade brasileira.
Estamos vivendo o nosso “apocalipse now”.
Nonato Nunes


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