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    23/03/2011

    Brasil e Índia: quem é quem

    Brasil e Índia têm muito em comum entre si: pobreza, fome e condições subumanas de vida. Lá, como cá, existe uma imensa concentração de renda e os pobres são mantidos a distância. Mas têm três quesitos em que o gigante do Cone Sul é imbatível quando comparado à Índia: a prostituição, a violência e o tráfico de drogas. No primeiro caso é comum por aqui meninas vestindo trajes mínimos se prostituindo em cada esquina. No país de Mahatma Ghandi e Nehru as mulheres, mesmo pobres, mantém sua dignidade pessoal e buscam ocupar seu espaço numa sociedade que se abre para o mundo capitalista sem perder de vista elementares princípios de cunho moral e ético. Ali não há tráfico de drogas. Não é difícil explicar o porquê. O jovem indiano – e não importa a idade – mantém estreitos os vínculos familiares. Os pais mantêm seus filhos dentro de rígidas regras sociais. A autoridade paterna, é, assim, a base da unidade da família.

    Em termos econômicos a Índia cresceu em média, nos últimos dez anos, 6,2%. O Brasil, parcos 2,5% no mesmo período (Pesek, William, Brasil e Índia no centro das atenções). Em 2008 o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil medido pelo método Paridade de Poder de Compra (PPP, sigla em inglês para  Purchasing Power Parity) foi de 1,977 trilhão. Já a Índia registrou um PIB, pelo mesmo método, de 3,388 trilhão. Esses números põem os indianos em 4º lugar no ranking das maiores economias do planeta, enquanto que o Brasil se situa cinco posições abaixo no mesmo ranking. Outro quesito em que levamos larga desvantagem é quanto à conta de investimentos no PIB. Por aqui os nossos dirigentes investem 19% nesse quesito, enquanto que na Índia esse nível de investimento é de 30%. A média mundial é de 20%. Quer mais? Pesek, que é articulista do Bloomberg News, fornece mais informações que são valiosas para uma confrontação numérica entre os dois países para mostrar que não houve tantos avanços assim pelas bandas do Cone Sul. Segundo o especialista, os nossos governantes têm gastado muito. 20% do PIB brasileiro evaporaram com os gastos do governo. Já no país dos marajás esses gastos ficaram 9% abaixo do nosso.

    Os números reforçam o que eu já havia escrito nos dois artigos anteriores. A Índia é, sim, o país preferido de Estados Unidos e Europa para ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Basta pesar os prós e os contras.

     Um abraço e até a próxima.

    Nonato Nunes



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