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21/12/2010
O ex-deputado Assis Lemos assistiu, agora pela manhã (21 de dezembro, terça-feira), durante encontro na Livraria do Luiz (Galeria Augusto dos Anjos, centro de João Pessoa), à primeira apresentação de como vem sendo feita a montagem do documentário “Memórias de Fogo – Assis Lemos e as Ligas Camponesas”. Na companhia do filho, também Assis, o símbolo da resistência ao golpe militar na Paraíba viu algumas imagens que jamais imaginou existirem. A principal delas é a da mãe do guerrilheiro Ernesto Che Guevara, dona Célia Guevara de la Serna. O filme é de 1934 e nele o espectador vai ver o futuro companheiro de Fidel Castro com apenas seis anos de idade na companhia do pai, da mãe e dos demais irmãos. Dona Célia esteve em Sapé e João Pessoa no início da década de 60. Viera conferir a fama das Ligas Camponesas na Paraíba.
Como sempre uma figura discreta e cavalheiresca, Assis Lemos é o sobrevivente de uma guerra surda travada pela ditadura contra padres, trabalhadores indefesos e políticos corajosos e de posições definidas. O documentário (um curta-metragem que terá um tempo aproximado de 19 minutos) procura resgatar, em imagens, uma história pouco conhecida das gerações atuais. Memórias… será um documento importante como denúncia de atos reprováveis cometidos num passado não muito distante, e que deixaram marcas indeléveis na vida política, social e institucional do Brasil. O “anos de chumbo” destruíram sonhos, montaram o terror e transformaram vidas. Prisões, torturas, assassinatos e desaparecimentos manchariam a história brasileira. Assis, esse herói da resistência, sobreviveu para dar testemunho de uma história que jamais será uma página virada.
Memórias… é também uma realização pessoal. Quando jovem, em Guarabira, ouvia meus pais falarem das façanhas desse cidadão. Jamais imaginei, porém, que um dia pudesse estar frente a frente com o mito, e o que é mais importante: produzir algo que pudesse resgatar essa história que envolve coragem, sofrimento, humilhações e torturas físicas e psicológicas. O senhor Assis Lemos é, sim, um cidadão digno das homenagens que vem recebendo não apenas na Paraíba, mas em todo o Brasil. Ao contrário de muitos, Assis não foi fraco para os fortes, mas os fortes é que se fizeram fracos para si mesmos. E os atos insanos que praticaram os apagariam para sempre da memória do povo brasileiro. Quem foi o coronel Ibiapina? Quem foi o coronel Villocq? Ninguém sabe.
Como diretor de Memórias… agradeço ao senhor Assis Lemos (e ao filho dele, também Assis) a disponibilização do seu acervo pessoal de fotografias para que as possamos usar na ilustração do filme.
O documentário Memórias… que tem previsão para ficar pronto em, no máximo, quinze dias, promete mais novidades para o paraibano.
É aguardar.
Nonato Nunes


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