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    26/10/2010

    A Imprensa e a “espada de Dâmocles”

    Alguém já ouviu falar da “espada de Dâmocles”? Não? Pois bem. Essa história se passou em Siracusa, na Siciília, há alguns séculos. Como se sabe todo soberano tem o seu séquito de seguidores e bajuladores. Eis que um dia estando Dionísio no trono dele um dos seus serviçais pôs-se a invejar a vida do rei: lautos banquetes, belas mulheres, serviçais, escravos, um suntuoso palacete, e sem contar que podia fazer o que bem entendesse de tudo aquilo dado o poder de que dispunha. Dionísio de há muito ouvia aquela mesma história. Nesse dia, então, propôs ao panegirista Dâmocles “viver um dia de rei”. Lógico que tal oferta jamais seria recusada. E assim foi feito. Tudo foi preparado para que o agraciado desfrutasse de todas as benesses que o palácio real podia lhe oferecer.

    Para comemorar tal “conquista” foi preparada uma grande festa, com convidados, pratos dos mais apetitosos, vinho, mulheres, música, dançarinos etc. Lá pelas tantas Dâmocles, fazendo um movimento que o obrigou a levantar os olhos para o alto, percebeu algo que o deixou paralisado. Presa ao teto pelo frágil fio de uma crina de cavalo estava uma afiada espada cujo metal reluzia de maneira intensa. O afiado instrumento estava apontado diretamente para os olhos do assustado serviçal. Dâmocles deixou o palácio trêmulo e saiu em desabalada carreira prometendo nunca mais voltar ali. Moral da história: nem sempre o que se vê é o que aparenta ser. Para se tomar decisões é preciso medir as consequências que elas terão no nosso cotidiano. A história aqui contada, que transita entre a ficção e a realidade, revela que o mesmo “poder que tudo pode” está atrelado a certas limitações que se mostram frágeis na aparência, mas que podem derrubar um império.

    Agora leio no portal da Associação Paraibana de Imprensa (API) que o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, anda preocupado com a criação dos tais Conselhos Estaduais de Comunicação. Segundo ele, a iniciativa dos Estados contraria a Constituição Federal e se configura num atentado à “liberdade de imprensa”. E sabem onde tudo começou? Não, né?! Ora, nos “calabouços” do Palácio do Planalto. Por ali o indivíduo que portar lápis, papel, gravador, microfone e câmeras pode ser facilmente confundido com o mais perigoso dos terroristas. A coisa se agrava caso o mesmo indivíduo, portador de “objetos tão perigosos”, tenha pensamentos próprios, rejeite censuras e traga à tona o que está oculto pela “lama”.

    Segundo ainda o mesmo portal, o primeiro Estado brasileiro a adotar o Conselho de Comunicação com poderes para “orientar”, “fiscalizar”, “monitorar” e “produzir relatórios” foi o do Ceará. Vale salientar que o que era apenas “consultivo” foi transformado em “deliberativo”. Isso significa que as escolas “chavista”, ”leninista” “castrista”, “maoísta”, “stalinista” e outros “-istas” de cunho ideológico começam a pôr seus tentáculos por aqui. O PT é “genial”, e Lula mais ainda. Quando teve dificuldades para impor suas vontades no plano nacional, passou a espalhar a “sujeira” pelos Estados. É bom lembrar que as investidas petistas contra a “liberdade de imprensa” tiveram início (ao que parece) com a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), que ocorreu no final do ano passado. O PT, claro, dotou a tal Conferência de todas as ferramentas necessárias para dar início a essa “ofensiva”. Esse trecho foi extraído do portal www.defesadademocracia.com: “A Folha apurou que, com dificuldades para implementar nacionalmente medidas que visam o controle da mídia, o governo federal irá estimular que os Estados o façam. Assim, com a discussão instalada, haveria ambiente mais favorável à proposição de lei federal.

    E sobre as nossas cabeças o PT pôs a “espada de Dâmocles”. Corra que ela pode cair!! 

    Nonato Nunes



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