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21/04/2011
“A noi…te traz no rosto sinais
De quem tem chorado demais
A noite tem deixado
Seus rancores gravados
À faca e canivete
À lápis e gilette
Por dentro das pessoas
Por dentro dos toilettes e mais
Por dentro de mim.”
A NOITE (Ivan Lins & Vítor Martins)
Preste bem atenção no comportamento de motoristas e/ou motociclistas nos sinais de trânsito de João Pessoa à noite… Neles há um claro pavor mórbido que vai aumentando a cada hora. A partir das 19 horas o automobilista pessoense desenvolve, automaticamente, uma espécie de “síndrome do pânico” enquanto aguarda a liberação do sinal (“farol” em algumas regiões do país). Esse é um mecanismo de autodefesa disparado inconscientemente pela certeza de estar em um local perigoso e onde não existe (em certas circunstâncias) nenhuma possibilidade de fuga caso surja tal oportunidade. Observe que a ansiedade passa a ditar a atitude do motorista, e isso se traduz com a ação dele de ir acelerando o automóvel (ou motocicleta) – aos poucos – para ter a sensação de que pode sair daquele ponto o mais rapidamente possível. Alguns extravasam tal ponto de tensão acionando a buzina, mesmo à noite.
Mas o reflexo mais comum dessa “tensão de semáforo” está numa atitude perigosa, mas que também é parte do instinto de defesa do cidadão. Os motoristas que encabeçam a fila nos sinais de trânsito – à noite, claro – costumam ir avançando milimetricamente até chegarem à faixa de pedestre. Dali eles podem ter uma visão melhor da direção de onde vêm outros automóveis. Quando veem que não há perigo de colisão, saem em disparada. Já os motociclistas costumam passar por entre uma fila e outra de carros e se posicionam bem na frente dos automóveis. Outros transitam fora das faixas laterais, o que pode causar acidente caso alguém precise descer rapidamente de algum automóvel parado. São eles quem mais avançam os sinais – ação esta que é bem mais comum à noite.
O motorista mais atento costuma usar o retrovisor para observar sua retaguarda. Já o mais “desligado” não costuma tomar tal precaução e ainda cometem o erro de se distrair ouvindo músicas. Essas atitudes “desleixadas” são sempre observadas por delinquentes que costumam se posicionar por trás de alguma proteção. Escolhida a vítima, é só chegar e abordar. Dia desses um senhor passou por algo assim. Ele ia na direção do hospital Edson Ramalho por volta das 20h e teve de aguardar a liberação do sinal que fica no cruzamento com a avenida Epitácio Pessoa. Como puxava a fila de carros acelerou o automóvel e cortou o sinal numa das avenidas mais movimentadas da cidade. É que dois bandidos se aproximavam e um deles levantou a camisa para mostrar a arma.
É isso, meu caro leitornauta. Estamos vivendo sob uma “tensão de semáforo”.
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Nonato Nunes


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