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    22/08/2010

    O debate no Clube dos Despreparados

    Do debate realizado pela TV Clube, a gente pode tirar uma grande lição: é preciso se preparar para enfrentar uma eleição. Preparar-se em todos os sentidos, inclusive para enfrentar as câmeras. Não se pode esquecer que do outro lado do vídeo estão milhares de eleitores. É para essas pessoas que os candidatos estão falando e são elas que precisam ser conquistadas.

    O que vi e ouvi no debate foi um festival de atropelos. Vamos começar a análise pelos chamados “nanicos”: exceto o desempenho de Nelson Júnior, do PSOL, que pelo menos conseguiu concatenar as idéias e se expressar coerentemente, o do restante da turma dita de “esquerda” foi um desastre. Frases feitas, chavões de 20 anos atrás, discursos desarticulados, teses vazias e generalistas, enfim, um horror. E proposta concreta, nada.

    Trabalhador vota em trabalhador, estatização de todo sistema de saúde, das maiores empresas de transporte público e das universidades e moratória da dívida pública. Essas foram algumas das teses apresentadas pelos nanicos de esquerda, que mais parecem viver em outro mundo ou em algum elo perdido. Ouvir a palavra “burguesia” em pleno século 21, em 2010, é o mesmo que falar em “Twitter” na Idade Média.

    Essa turma precisa encontrar outro discurso, precisa se fazer entender pelo povo. Nem a massa de trabalhadores que tanto defendem consegue compreender o que esses candidatos estão propondo. É um problema de conteúdo e também de forma. Claro que numa democracia toda ideologia deve ser respeitada, mas se a idéia deles é governar alguma coisa, é preciso urgentemente aprender a se comunicar e repensar o que deve ser comunicado.

    Na universidade, uns 15 anos atrás, fui aluno de Lourdes Sarmento, a candidata do PCO. Hoje, posso lhe garantir que o discurso é o mesmo. Os anos se passaram, a vida mudou radicalmente não só na Paraíba, mas no mundo inteiro. E candidatos como a minha ex-professora se recusam a acompanhar essas mudanças. Com todo respeito ao posicionamento dela e dos seus colegas de esquerda, o resultado dessa postura é continuar falando para meia dúzia, comunicando-se com o próprio umbigo, e a tal revolução dos trabalhadores da cidade e do campo vai continuar apenas no discurso. Nem no imaginário popular tem espaço, porque o povo não a compreende.

    Outra coisa que chamou atenção no debate foram os atropelos do governador José Maranhão, nas palavras, no tempo e no raciocínio. Sabemos que ele tem habilidade política e administrativa, mas naquele ambiente o que conta mais é o desempenho pessoal do candidato naquele momento, naquele espaço de tempo. E nesse quesito, ele se deu mal. Para não admitir que Ricardo Coutinho saiu-se melhor, aliados do governador preferem dizer que os “nanicos” roubaram a cena. E outra: Cássio teria agredido o governador nos bastidores e, por isso, o desestabilizado.

    Desculpas à parte, a verdade é que a última imagem é a que fica. E se por acaso você for um eleitor indeciso, que já conhece a história dos dois principais candidatos, depois daquele debate é mais provável que opte pelo ex-prefeito de João Pessoa, que também tem habilidade política e administrativa. Por uma simples razão: Ricardo soube utilizar o curto tempo para analisar a conjuntura e apresentar propostas, soube se fazer entender, falou a língua do eleitor e divulgou suas realizações.

    Pra concluir minhas observações sobre o debate, a sensação é a de que ele deixou no eleitor um gostinho de quero mais. Com muitos candidatos em cena, o esperado embate entre os dois principais foi superficial. No entanto, esse primeiro debate serviu de alerta para os adversários de Ricardo Coutinho, que não se prepararam para enfrentar o mais importante palanque de uma campanha eleitoral: a televisão.

    Allysson Teotonio



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