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    19/03/2010

    “Novo Jornalista”: mix de brio com tecnologia

    Muito se fala hoje sobre os atuais paradigmas para os chamados “novos jornalistas”. Aqueles que precisam trabalhar com inovadoras
    ferramentas e plataformas lançadas a uma velocidade perturbadora.

    Dentro desse universo infinito de leituras sobre o tema – de cursos, de livros, de artigos, de sites – gostei muito de uma trinca de
    conceitos bem simples proposta pelo escritor Bruno Rodrigues, um dos maiores especialistas em mídia digital da América Latina.
    Para ele, antes de gastar tempo e dinheiro procurando se encaixar neste contexto, é aconselhável refletir sobre três conceitos que têm se apresentado ao longo dos últimos anos e que, inevitavelmente, fazem parte do futuro próximo.

    Em síntese:

    1- Informação não é só notícia e, portanto, não morre amanhã. Na contramão da premissa de que o publicado hoje vira passado
    amanhã, o maior benefício do meio digital é a permanência da informação.

    2- Informação não é só texto. Neste novocenário, a habilidade de redigir é apenas uma entre as essenciais. A convergência de mídias é realidade, ou seja, vídeo, áudio, ícone, foto, ilustração e gráfico tem o mesmo peso que o texto.

    3- Informação não é só informação. O jornalista tem que se acostumar com a idéia de que tem que incluir sugestões dos leitores,
    mediar comentários, publicar conteúdo de quem não é jornalista.

    Tem que aprender a lidar com ferramentas como o RSS, Twitter, Orkut, Facebook.
    Na minha opinião tudo isso não é mais tendência, é fato. Basicamente, esse tripé de conceitos vai servir de base para os assuntos tratados nesta coluna. Isso tudo assusta? É claro. Afinal, fazer um jornalismo de qualidade ficou mais acessível – derrubou barreiras antigas: não há necessidade de investir alto na impressão e distribuição – no caso do impresso – nem de obter licença governamental ou de ser rico – no caso do jornalismo de Rádio e TV. É inegável que a Internet abriu espaço para muitas polêmicas envolvendo o
    jornalismo – o que é ou deixa de ser jornalismo. Isso assusta também porque de repente a
    gente percebe que se investirmos neurônios e dedicação podemos conseguir resultados com qualidade semelhante aos obtidos em qualquer lugar do mundo.

    A possibilidade desse desafio é assustadora. Mas não deixa de ser fascinante. Certamente me fascina.
    Vamos entrar em consenso? Que tal fazer um mix de tecnologia com brio.
    Aquele brio do jornalista que andava à pé, usava máquina de datilografar e telefone, mas que quando olha para uma tela de computador enxerga não só uma máquina, mas um mundo de oportunidades – que permitem o refinamento da informação, outrora impensável.

    Clara Torres



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