(0) Comentário
11/02/2012
O tempo passou e alguns dirigentes do futebol paraibano não entenderam que as coisas mudaram. O futebol por aí afora não é esse praticado aqui. Ele vem mudando, se profissionalizando cada vez mais e exigindo um gerenciamento sério e eminentemente empresarial. O futebol empresa é uma realidade que precisa ser seguida, a exemplo do que ocorre noutros centros, não tão longe do nosso.
Fruto de uma desorganização que chega a nos deixar tristes, os resultados não são nada animadores. As últimas participações de nossos clubes no cenário regional são pífias, com resultados ruins mesmo nas disputas por vagas na quarta divisão do futebol nacional. E vejam que apenas um clube da Paraíba tem vaga garantida nessa divisão, com as outras equipes ficando a ver navios o resto do ano, pois nem um segundo lugar enseja mais uma vaga. Uma prova irrefutável da falta de prestígio dos clubes e dos dirigentes do nosso futebol. Este ano, por conta do rebaixamento do Campinense, que estava na terceira divisão, teremos dois representantes na quarta divisão.
Essas performances vergonhosas dos nossos clubes em nível nacional são, na verdade, essa falta de profissionalismo e de uma visão empresarial.
Não podemos esperar resultados positivos de clubes que não pensam nas divisões de base – o melhor caminho para se revelar jogadores – mas, se preocupam em formar equipes de seis em seis meses, contratando além do mais, jogadores ultrapassados, cansados, viciados e sem nenhum amor ao clube que defende. A falta dessa continuidade de elencos, da permanência de uma equipe base de ano para ano, resulta naquela conversa de todo o início de competição – VAMOS CONTRATAR, ESTAMOS FORMANDO A EQUIPE, OS JOGADORES AINDA ESTÃO SE CONHECENDO, O ENTROSAMENTO COMEÇA A ACONTECER, ETC.
O resultado é aquele já conhecido: o time não emplacou, vemos ver onde erramos e a torcida deve ter paciência. Por conta dessa falta de planejamento, tem torcedor por essa Paraíba afora que vem sofrendo com os resultados de seus clubes e sem muitas esperanças.
Não posso acreditar num futebol, onde dirigentes querem ser mais estrelas do que os donos dos espetáculos, os jogadores. Continuo a não acreditar no futebol de dirigentes que usam o clube pensando em ser eleito no próximo pleito. Política e futebol não se combinam. Não posso ter esperanças num futebol feito por empresários de jogadores que influenciam na presença do jogador como titular e na exigência contratual de tirá-lo do clube a qualquer momento, caso surjam oportunidade de levá-lo para outra agremiação que lhe ofereça um melhor contrato. Até entendo, porém, fosse eu um dirigente, e o meu clube recebesse tudo o que foi gasto com o atleta e bem indenizado na transação.
Como confiar num futebol que nem estádios têm para se jogar. E um fato estranho: as duas maiores praças esportivas, Amigão e Almeidão, somente nos últimos instantes do início do campeonato receberam autorizações do Ministério Público para a realização de jogos. Enquanto isso, o estádio Antônio Mariz, em Sousa, foi aprovado e, no jogo entre o time local e o Botafogo, apresentou uma iluminação deficiente ao ponto de faltar energia quase no final do espetáculo.
São tantos os problemas nesse futebol paraibano, que falta até espaço para apontar todos eles.
Mas, por fim, como acreditar num futebol cuja tabela foi distribuída à imprensa com jogo marcado para 30 de fevereiro. Não dá para acreditar!!! Continuamos fazendo um futebol amador. Precisamos, sim, profissionalizar o nosso futebol.
Gilson Souto Maior


API - Associação Paraibana de Impresa 2009-2011 | Todos os direitos reservados. | Login