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    25/10/2010

    Nem todos estão prontos para enfrentar o sucesso

    Não é fácil conviver com o sucesso, principalmente quando não se está devidamente preparado. Muitos se empolgam e começam a fazer bobagens. A conquista sobe à cabeça, os elogios fáceis tumultuam e perturbam o comportamento, perde-se a humildade, a arrogância toma conta de seu jeito de se expressar e tratar as pessoas e, até os familiares e amigos mais próximos, são vítimas do desequilíbrio desses pobres mortais.

    Falta-lhes ou faltou-lhes, talvez, um lar harmonioso e tranquilo. Para alguns a ausência de pai e mãe, que possam ajudá-los a traçar os seus caminhos e, assim despreparados, não sabem como enfrentar o sucesso.

    Na verdade, nós da mídia temos a nossa culpa no surgimento, às vezes, de “novos” ídolos. Isto em todos os segmentos da vida. No cinema, na música, no futebol e na política, são inúmeros os exemplos.

    Na política, não é sopa. Muitos são os exemplos de nomes que surgem repentinamente. A maioria reflexos de uma votação de protesto da população e, com o passar do tempo, não emplacam. Sem experiência, sem uma assessoria de qualidade é claro que não vão longe. São candidatos de um só mandato.

    No futebol, também não é diferente, foram inúmeros os jogadores que surgiram e não souberam seguir a sua trajetória de endeusamento fácil proporcionado pelos olheiros e comentaristas desse esporte. No final dos anos 40 Heleno de Freitas, trocou o sucesso e vibração dos estádios pela boemia, que não combina para quem deseja crescer no esporte.

    Os mais velhos devem lembrar esse jogador que brilhou principalmente no Botafogo, além de Fluminense e outros times cariocas. Terminou mais cedo do que esperava a sua carreira.

    A falta de um bom comportamento, dentro e fora de campo também determinou fracassos de craques que poderiam ter dado muito mais ao futebol brasileiro. Almir, o pernambuquinho, revelado pelo Sport Recife e que também brilhou no Vasco e Santos, poderia ter tido uma melhor sorte, inclusive na seleção brasileira. Sempre foi muito questionado por conta da bebida e indisciplina. Fez menos sucesso do que poderia.

    Marinho Chagas, natural do Rio Grande do Norte, revelado pelo ABC, brilhou no Fluminense, jogou na seleção e encerrou a sua carreira no New York Cosmos, ao lado de Pelé e Carlos Alberto, mas nunca soube organizar a sua vida, conciliar inteligentemente ser um grande atleta e um exemplar cidadão. Desperdiçou tudo que ganhou e adquiriu com o futebol e, hoje, vive humildemente em Natal. Apenas de lembranças de um passado cheio altos e baixos.

    Exemplos como esses são diversos, não apenas no futebol. Cito alguns no esporte mais preferido dos brasileiros, como poderia apresentar mais nomes em outras áreas. Dei preferência aos jogadores futebol de ontem somente para dizer da minha preocupação com o jovem Neymar, do Santos, também de forma precipitada da imprensa brasileira alçado à condição de gênio, de um novo Pelé.     

     Recentemente, todos acompanharam através da mídia, as peripécias do jogador. Fossem elas de sensacionais jogadas não estaríamos aqui preocupados. Mas, não foi isso o que aconteceu. Sem o devido preparo para enfrentar os assédios da imprensa, os elogios fáceis, muito dinheiro e uma radical mudança de vida, o menino brigou com os companheiros e adversários dentro de campo numa partida realizada recentemente, provocando a saída do treinador e bagunçando o ambiente de seu clube. Os atrasos nos dias de treinamento e a participação nas baladas das noitadas santistas ameaçam o seu futuro.

    Não se pode deixar de reconhecer o valor do atleta, hoje uma grande promessa. Não podemos, também, deixar de afirmar que o mesmo está mal orientado, nos ambientes familiar (cujos pais não o prepararam para a vida), e do clube, com os seus dirigentes aceitando passivamente os seus atos de indisciplina.

    O momento de Neymar é de muita atenção por parte dos que gostam de futebol espetáculo. A esperança de todos é de que ele se firme como um grande atleta, capaz de dar muitas alegrias ao futebol brasileiro. Por outro lado, fica a apreensão pelo futuro de uma estrela que pode se apagar de forma repentina. A vida é assim: “NEM TODOS ESTÃO PRONTOS PARA ENFRENTAR O SUCESSO.” A nossa torcida é para que esse não seja o futuro do menino Neymar.

    Gilson Souto Maior



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