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23/08/2010
Não se pode negar a crise que toma conta e ameaça o futuro dos jornais. O fechamento de alguns periódicos em vários países, inclusive no Brasil, mostra claramente o momento difícil por que passa o jornalismo imprenso.
Segundo pesquisa no início da década, num grupo de mil japoneses 500 compravam diariamente exemplares de jornais. Aqui, na mesma época, esse número não chegava a 50 exemplares.
As colocações que alguns fazem sobre o fim do jornal impresso são muitas. Afirmam que o preço do jornal não é compatível para um povo cujo salário é baixo e tem outras prioridades diárias. Afirma-se, também, que os custos elevados do papel somados às despesas com pessoal invibializam a saúde financeira das empresas jornalísticas. A modernização dos parques gráficos e as dificuldades para saldar os compromissos por parte dos empresários do setor não justificam novos investimentos.
Além disso, alegam ainda que a internet também esteja tomando os anúncios antes veiculados nos jornais, surgindo como outro elemento perigoso às pretensões dos donos das empresas.
O futuro dos jornais ainda é questionado absurdamente com algumas alegações de jornalistas experientes, que chegam até a afirmar que os jovens, os meninos que saíram da universidade deveriam ser minoria nas redações. Chegam a alegar que um jornalismo sério, de boa qualidade e responsável não pode ser feito por quem ainda não tem a experiência necessária, por causa da pouca idade. Uma colocação infeliz.
Já estou bem usado, tenho os cabelos grisalhos, sou avô e não concordo com essas colocações. Comecei no jornalismo aos 16 anos, passei pelas redações de jornal, rádio e de televisão, mas posso não concordar com certos dinossauros da imprensa, que pensam que são eternos.
Sobre as afirmativas pessimistas do fim dos jornais, tenho a dizer que essa conversa mole vem de longe. Quando só existia o jornal, a chegada do rádio apavorou muita gente. Os historiadores contam que o novo meio de comunicação, para alguns, na época, seria o fim do jornal. O tempo passou e nada disso aconteceu. Veio a televisão, as colocações negativas se repetiram, no entanto, o tempo mostrou que esses meios de comunicação conviveriam, como estamos vendo, harmoniosamente, cada qual com a sua importância nosso contexto social e empresarial.
Agora, a internet, é a vilã da história. “A televisão, o rádio e o jornal vão sumir. Ninguém suporta a força e velocidade de informação desse meio” – afirmam. Sou um otimista. Continuo sendo otimista e vibro com as facilidades que a REDE oferece. Desejo que surjam mais novidades, mas, sempre acreditando que tudo vai continuar bem para ambas as partes. Cada veículo continuará tendo o seu espaço, como aconteceu antes.
Acredito que os jornais não vão morrer nem não fechar prá balanço. Alguns poderão até falir, como vem acontecendo, fruto da incompetência administrativa de certos empresários, que, infelizmente, não acompanharam as mudanças ocorridas nos últimos tempos. Mas, não sou tão inocente que não entenda a importância e necessidade de mudanças. Quem não desejar fechar as portas, deve, o mais depressa possível, mudar o estilo do jornalismo que vem sendo feito. Querer concorrer com a instantaneidade do rádio, da televisão e da internet, especialmente desses dois últimos, é falta de inteligência. Como bem afirma o jornalista Giovanni, Sartori, editorialista do Corriere della Será, nós saímos e faz tempo da era do homo sapiens para a era do homo videns. Na verdade a televisão e a internet estão aí, o que nos obriga a abrir os olhos e enxergar melhor esse novo momento da história.
É preciso repensar o jornal, buscar novos caminhos para atrair o leitor e nunca ficar se lamentando e achando que não existe solução.
Voltando aos meninos que hoje tomam conta das redações, não entendo que eles sejam empecilho para se fazer um bom jornal. Ao contrário de alguns amigos dos cabelos grisalhos, como os meus, vejo nessa garotada que está nas redações dos jornais, rádio e televisão, nos portais e demais instrumentos da REDE, o futuro do nosso jornalismo, alguns até sendo bonitas realidades, grandes revelações, procurando, e estão certos, os seus espaços. No passado, nós dos cabelos grisalhos, que ainda estamos no batente, fomos vistos da mesma forma. Olharam-nos de bandinha, como se diz na gíria popular. Não foi fácil conquistar os espaços.
Precisamos enfrentar as dificuldades que atualmente são grandes, inclusive o desprestígio da categoria com a criminosa retirada da exigência do diploma para se exercer a profissão. Precisamos fazer voltar a alegria das redações. Precisamos, ainda, saber viver esse novo momento, de um jornalismo com as novas opções de emprego que nos são proporcionadas.
Hoje, apesar dessas preocupações todas, a maioria dos jornalistas tem na internet, atuando nos portais, nos seus blogs e demais veículos da REDE, o complemento de sua renda mensal. Com ela novas oportunidades de trabalho surgiram. É um novo caminho no mundo das comunicações, que certamente não acabará com o jornal impresso, que sentiu e sente ao longo dos anos a força do rádio e da televisão, mas que saberá enfrentar esse novo e apaixonante instrumento das massas, a INTERNET.
Gilson Souto Maior


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