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22/09/2010
No dia 22 de setembro de 1922, quando se comemorou o Centenário da Independência do Brasil, um paraibano, Epitácio Pessoa, então presidente deste país, deu o pontapé inicial para a presença entre nós de um maravilhoso meio de comunicação, o Rádio.
É bom lembrar, que durante muitos anos o Dia do Rádio e do Radialista foi comemorado no dia 21 de setembro através de decreto do governo de Getúlio Vargas que criou e regulamentou a profissão de radialista, em 1944. O Dia Nacional do Radialista, porém, a partir do ano de 2006 passou a ser comemorado no dia sete de novembro, data de aniversário do radialista Ary Barroso, um dos maiores nomes da radiofonia brasileira.
Mas, o importante é que todo dia é dia do radialista, é dia de rádio, um veículo que tem uma participação das mais positivas na informação e formação da população.
Voltando a história e o surgimento do rádio no Brasil, desejo afirmar que pouca gente fala sobre esse grande acontecimento proporcionado pelo nosso ilustre conterrâneo, Epitácio Pessoa.
Para comemorar a grande data nacional e a presença entre nós do Rei Alberto I da Bélgica, um dos mais prestigiados nomes da primeira guerra mundial, o paraibano Epitácio Pessoa fez funcionar uma emissora de rádio, com transmissor instalado no Morro do Castelo, que levou aos brasileiros, principalmente o povo carioca, os acontecimentos festivos daquele importante momento da vida nacional.
A presença do veículo rádio na festa só aconteceu por conta de uma visita do presidente Epitácio aos Estados Unidos. Na ocasião, participando das festividades da independência dos Estados Unidos ele conheceu e ficou encantado com o novo meio de comunicação e resolveu testá-lo aqui.
Ao instalar os equipamentos, através dos trabalhos de técnicos de americanos da WESTINGHOUSE COMPANY, ele colocou 100 aparelhos de rádio à disposição de autoridades e mandou instalar alto-falantes em várias artérias da cidade do Rio de Janeiro.
Essas observações são feitas, pois esses acontecimentos não são destacados como deveriam ser pelos historiadores. Assim, sempre que possível, faço questão de afirmar o quanto a Paraíba merece ser lembrada quando se fala na história do rádio brasileiro. No dia 22 de setembro, que não é mais o dia dedicado aos “Radialistas e Radiodifusão”, ou mesmo noutras oportunidades, pouco se fala sobre a importância da data e, também, dos paraibanos que contribuíram para a bonita história do rádio.
Ao citar Epitácio Pessoa, nascido em Umbuzeiro, como esquecer a importância do grande campinense Argemiro de Figueiredo. Foi ele que presenteou a Paraíba, quando interventor do estado, inaugurando em 25 de janeiro de 1937 a nossa primeira emissora AM, a Rádio Tabajara, em João Pessoa, a terceira do Brasil, inicialmente com o nome de Rádio Diffusora da Parhayba, que funcionava por meio de alto falantes e, em maio do mesmo ano, Rádio Tabajaras, que por fim passou a denominar-se Rádio Tabajara, com o prefixo que a tornou famosa e querida, PRI-4.
Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, também natural de Umbuzeiro, nascido em 04 de outubro de 1892, é outro paraibano que merece destaque na história das comunicações do Brasil.
O analfabeto até 1902 aprendeu a ler rapidamente. Passados quatro anos já escrevia para o jornal do Recife, “A Gazeta do Norte”. Em 1919 já era considerado político e intelectual. Fez um grande império de comunicação e no auge da organização contava com 25 emissoras de rádio. A rádio Borborema, em Campina Grande, foi uma delas, fundada no dia 08 de dezembro de 1949 e a Rádio Cariri (13.05.48), a primeira da cidade, foi por ele adquirida nos anos 50.
Assis Chateabriand foi um apaixonado pela radiodifusão, pela Paraíba e, especialmente por Campina Grande, cidade a qual ele presenteou com a inauguração da TV Borborema nos anos 60, a primeira emissora de televisão do interior do Brasil.
Assim, na passagem desta data dedicada à radiodifusão brasileira, para alguns ainda comemorada no dia 21 de setembro, não se poderia deixar de ressaltar a importância desses nomes no contexto da história do rádio e da televisão no país.
Ainda, por respeito aos fatos históricos, se faz necessário citar outros nomes como: EDGARD ROQUETTE-PINTO, o Pai do Rádio, como veio a ser reconhecido, nascido no dia 25 de setembro de 1884, e o professor HENRIQUE MORITZE. Foram eles os responsáveis, no dia 23 de abril de 1923, pela inauguração da primeira emissora de radiodifusão deste país, a Rádio SOCIEDADE DO RIO DE JANEIRO. Foi ela a primeira emissora brasileira com uma grade de programação e transmissões regulares.
Cabe aqui um pensamento de Roquette-Pinto, em resposta a algumas colocações sobre o seu papel no meio radiofônico. Ele disse certa vez:
“O meu papel no rádio não foi o de sacerdote que está dizendo missa, nem do cantor que está no coro ou o organista… Foi o papel de sineiro, o homem que faz o bronze vibrar, chamando os crentes. Eu apenas vi que, para minha terra, para o meu povo, o rádio era uma nova força, uma alavanca nova de progresso. E então, agarrei a corda do sino e bati, e bati… Não fui senão um simples sineiro”.
Aos radialistas cabe afirmar que não interessa a data de comemoração do dia que lhes é dedicado, pois o que importa é o seu desempenho diário empunhando os microfones, informando, instruindo e divertindo a população, neste que é o mais democrático de todos os meios de comunicação, o Rádio.
Gilson Souto Maior


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