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20/12/2011
É difícil, com todo o respeito que temos pelos companheiros de imprensa – falo para todos os que atuam no jornalismo em geral – suportar durante ano todo a mesma conversa, os mesmos assuntos e o pior, o comprometimento claro e escancarado por parte de alguns colegas. Fosse o comprometimento de seriedade jornalística, tudo bem. Mas, o que nos fere e incomoda é o comprometimento de jornalistas não com a política, mas com políticos. A briga tola contra amigos de batente. E o pior! A briga por alguns trocados a mais, em detrimento do bom e sério jornalismo – que é na verdade o que interessa ao povo. O jornalismo paraibano está precisando ser passado a limpo. Está pedindo socorro.
Que a Paraíba precisa do apoio de todos nós para sair da mesmice em que se encontra e, não é de hoje, todos sabemos.
Mas, precisamos saber, também, a necessidade de fazer um jornalismo melhor, sem a necessidade de nos curvarmos com os que têm poder. A democracia é aquela onde se pode falar, reivindicar e apontar não o que queremos ou o que os pensam que mandam querem, mas o que povo deseja. Somos não apenas encarregados de informar ao público, mas, de formar esse mesmo público. Os nossos exemplos como formadores da opinião pública estão sendo corretos?
É insuportável essa conversa repetida de companheiros da imprensa, o dia todo, todos os dias, a querer, por exemplo, colocar na cabeça do povo que uma fábrica em Pernambuco é um grande tento para Paraíba. Alguns paraibanos poderão até conseguir um emprego ou outro nessa fábrica a ser instalada no vizinho estado, porém, todos sabem que o maior beneficiado será o estado que recebe a fábrica, pois serão os seus cidadãos a serem aproveitados naturalmente em maior número. Uma questão lógica, clara.
Desde o começo do ano que essa conversa mole continua numa demonstração clara de se querer agradar ao senhor GOVERNADOR, para quem deveremos dar, sempre, o nosso voto de confiança, pois é ele o nosso dirigente maior e, em assim sendo, torcer pelo seu sucesso é importante. Torcer contra é não querer o bem da Paraíba e do seu povo É burrice. Torcer contra é torcer contra nós mesmos, não sendo, pois, uma atitude correta para quem tem bom senso. Precisamos ser verdadeiros e honestos no informar, no comentar, no falar. Só assim estaremos ajudando a quem dirige.
Não podemos passar o ano todo – e o pior é que passamos – falando sobre o atendimento do Trauma, sobre os problemas dos prefeitos de Campina e João Pessoa, o drama vivido por Cássio (finalmente resolvido), sobre uma eleição municipal que começou a ser tratada antes do tempo. Passamos meses repetindo as mesmas conversas, gastando tempo e espaço nos jornais, emissoras de rádio e TV, numa briga política boba e besta, que vem ao longo dos anos somente mantendo a Paraíba numa posição de estado pequeno em relação aos demais da região. Somos um estado de palanque armado permanentemente. E isto é ruim para todos.
Precisamos amigos é mudar as nossas atitudes profissionais e partirmos para tratar de assuntos de maior relevância em prol do povo. Mas, sem politizar a coisa! Vamos tratar da saúde sem partirmos para acusações contra pessoas. Lutemos pela solução da educação, sem fazermos comparativos de “antes era melhor”, “hoje tá pior, etc”.
Vamos denunciar e apontar os problemas e, também, cobrar dos setores competentes as ações imediatas, porém sem a mania de sempre encontrar um jeitinho para ferir pessoas com o desejo de agradar a esse ou àquele gestor público, com posições partidárias que não devem ser os caminhos do jornalismo sério.
O bom jornalismo não é apenas jornalismo político. Quem é bom, quando tratado de forma isenta. Bom jornalismo é, ainda, o que trata dos problemas gerais de interesse de uma comunidade. O jornalismo político não deve ser, portanto, um tema único a ser tratado. Até porque não é o único gênero jornalístico. O jornalismo é esportivo, é econômico, é cinematográfico, é empresarial, científico e, por aí vai. Tem muita coisa para se conversar e informar no jornalismo em qualquer que seja a mídia. O discurso pode ser bem amplo, bastando para tal fazer boas e variadas PAUTAS.
Gilson Souto Maior


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