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    23/01/2012

    Conversando sobre rádio

    Um estudo sobre “Radiojornalismo hipermidiático: Tendências e perspectivas do jornalismo de rádio All News brasileiro em um contexto de convergência tecnológica” tem sido a minha leitura preferida nos últimos dias. Trata-se de um livro da professora e pesquisadora Débora Cristina Lopez, através de um trabalho sobre estudos de comunicação (Covilhã, UBI, LabCom, Livros LabCom), na Universidade de Beira, em Portugal).

    O querido veículo, segundo Débora, “vive um momento apaixonante. Outra vez precisa se reinventar diante da ruptura das formas de fazer e consumir o rádio, impostas pelo cenário de convergência digital em que se inserem todos os meios tradicionais. Como se comprovou ao longo de sua história, são estes momentos de mudança tecnológica os que finalmente criam oportunidades para explorar novos caminhos narrativos e dialogar com a audiência”.

    Por sinal, desde o seu surgimento, o veículo vem dando respostas aos incrédulos que sempre anunciam o seu fim. Como é do conhecimento de todos isto aconteceu quando do surgimento da televisão e, mais recentemente, com a chegada da internet.

    Agora, é o formato “All News”, de todos os existentes – afirma Débora, o mais questionado. As razões são as de que o rádio perdeu o monopólio no que até hoje definiu sua natureza informativa, ou seja, a instantaneida, proximidade e simultaneidade. E ela fala que a internet potencializa tais características, delas se apropriando e transpondo-as aos demais veículos “que utilizam este suporte, ampliando a concorrência a limites até agora desconhecidos”.

    O estudo diz – no que concordo – que o rádio continua bem. Aliás, nunca duvidei das potencialidades do rádio, de sua força e penetração junto à comunidade. Acho até – e já afirmei isso em outras ocasiões neste mesmo espaço, que a internet é uma ferramenta importante para o rádio, em nada o atrapalhando. No meu entender, oferecendo condições de universalização de sua mensagem e conquistando um público jovem, que agora o acompanha através da rede. 

    Esse trabalho da professora Débora Cristina é indubitavelmente da melhor qualificação, merecendo a atenção dos estudiosos de comunicação. “Radiojornalismo Hipermidiático: tendências e perspectivas do jornalismo de rádio All News brasileiro em um contexto de convergência tecnológica”, trata-se de um livro que aborda com profundidade e inteligência os novos formatos de fazer rádio. Quem gosta do assunto deve ler.

     

    All News

     

    No Brasil podemos destacar emissoras como a CBN e Jovem Pan, entre outras, formato “All News”, sem dúvidas, competentes no feitio desse novo estilo de se fazer  radiojornalismo.

    No caso da Paraíba – especialmente em João Pessoa – e creio em diversas emissoras por este país afora, o nosso questionamento é apenas quanto à falta de cuidado de determinados coordenadores do jornalismo radiofônico com relação não ao formato agora proposto.

    A nossa preocupação é com a acomodação de alguns companheiros que ao formarem uma cadeia de rádio ou integrarem uma rede, estadual ou nacional, esquecem do jornalismo local, que em termos percentuais durante a programação local passa a ser diminuto, quando os acontecimentos locais, especialmente da cidade, deveriam ter um peso maior. A formação de uma parceria com a CBN ou Jovem Pan, por exemplo, não implica na obrigatoriedade de transmitir tudo em termos de notícia do centro maior ou do que é apresentado pela emissora cabeça da rede. Os acontecimentos de outras regiões devem ser  também divulgados, mas, evidentemente, os que mais nos interessam de perto, característica do jornalismo bem conhecida por parte de qualquer homem de comunicação. Um fato político, em termos nacionais é importante quando efetivamente é de interesse geral.

    Adianta, por exemplo, para o ouvinte de João Pessoa ouvir um programa em rede nacional de uma emissora de São Paulo cujo enfoque maior é de interesse daquele estado, quer política ou administrativamente?  As notícias políticas locais, os problemas do bairro de Manaíra, São José, etc., nos interessam mais do que os problemas do Braz, da Casa Verde ou do Ipiranga. Uma questão lógica. 

    O jornalismo “All News” é muito importante. A troca de informações entre as emissoras de outras regiões tem um grande valor. Mas, defendo o regionalismo. Defendo a carga de informação maior em âmbito local. Defendo esse estilo novo de informação e prestação de serviços o dia todo. O RÁDIO All News – é um formato dos novos tempos, retrato de um rádio mais informativo e interativo, seja através desse apaixonante veículo pelas ondas hertzianas (o rádio tradicional) ou via internet. Mas, precisa, em termos locais, mudar alguma coisa. 

     

     

     

    Gilson Souto Maior



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