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    24/04/2011

    Conversando sobre as mídias

    O tempo passa e os comentários são os mais diferentes no tocante ao futuro das mídias. Tenho dito neste espaço a existência de pensamentos diferentes e de colocações até precitadas sobre o futuro do rádio, da televisão e do jornal. Muitos são aqueles que apaixonados pela internet e suas ferramentas, não se cansam de fazer colocações até engraçadas, no meu modo de entender, alardeando o fim de determinadas mídias.

    Vejo tudo isso como sensacionalismo e, me perdoem, até falta de conhecimento de muitas pessoas sobre cada meio e suas especificidades. Cada um – rádio, televisão, jornal, revista, etc. – sempre teve e terá o seu espaço na preferência popular e com a sua linguagem própria. Não se pode negar e, por sinal, já falei neste espaço, que a internet veio para ficar, não estando, ao fazer tal afirmativa, a dizer nada de novo. Repito, também, o que tenho dito para alguns colegas da área de comunicação, inclusive aos alunos de comunicação; todo esse avanço tecnológico do mundo de hoje é gratificante e saudável, possibilitando até maior número de empregos para nós jornalistas. Além disso, e por conta desse novo momento a democratização da informação é bem maior do que antes. Tanto é assim, que tem gente até falando demais(escrevendo), até metido a jornalista, sem ser. Mas, deixa pra lá. Como não existe controle para colocá-los no seu devido lugar, eu simplesmente não leio, aliás, não acesso a quem não é do ramo. Prefiro aproveitar o que de bom o webjornalismo nos oferece.

    Voltando ao assunto, o futuro de algumas mídias por conta do jornalismo on-line, desse jornalismo em tempo real que a internet nos oferece, em nada vai, por exemplo, provocar o fim do veículo mais popular de todos que é, indubitavelmente, o Rádio.

    Esse fascinante meio de comunicação, apesar de não merecer o valor, apoio e devido respeito por parte de alguns empresários, continua sendo fantástico pela sua linguagem fácil e por sua capacidade transformadora de realidades através de imagens mentais. No seu trabalho “Nueva radio para nuevos tiempos com nuevos modos entre nuevos medios”, J.S. Olmo, afirma que o rádio é aquele meio que permite ver com os ouvidos.

    Todos sabem que a linguagem radiofônica se situa entre o que é escrito e o oral, e baseia a sua carga de expressividade na palavra como também em outros elementos sonoros ou não.

    Os elementos integrantes dessa maravilhosa linguagem radiofônica são – palavra, música, efeitos sonoros e o silêncio. Todos esses elementos da linguagem do rádio são expressivos. Para mim mais forte do que os demais meios.

    Mesmo sendo a palavra muito importante, não podemos também conceituá-la como a principal, pois os demais elementos citados são sem dúvidas, significativos. Juntos, são necessários e representam a força desse extraordinário meio de comunicação.

    Reforçando a afirmativa de Olmo, de que o veículo rádio permite ver com os ouvidos, podemos ressaltar que essas características de linguagem que diferem o rádio dos demais meios, podem, por exemplo, ensejar um marco próprio, no futuro, de propaganda radiofônica, segundo os estudiosos da publicidade.

    Para esses, “a linguagem radiofônica incorpora o texto escrito e a imagem, o que lhe outorga uma nova configuração como meio de comunicação e mídia publicitária, e que lhe confere características próprias de suporte como a televisão, o cinema, a internet. Surge um novo meio, que ultrapassa a sua condição – unimídia – para alçar-se a uma esfera multimídia”. (Cenários da radiodifusão na era digital)

    Fica claro, concordo com os homens da publicidade, que esse mesmo rádio que teve influência importante na chegada da televisão, que sofre com o impacto da chegada de outras ferramentas de comunicação (hoje as redes sociais), deverá receber auxílio dos meios visuais existentes ajudando-o na exploração de novos elementos de linguagem radiofônica, especialmente no campo publicitário. Por isso, não acredito na morte do rádio.

    Com essa unificação tecnológica, o rádio na internet (web rádio), rádio nos aparelhos celulares, com as mídias se interagindo mais do que nunca, não o vejo decadente ou com perspectivas de extinção. Como também não vejo “morte anunciada por alguns” para o jornal, por conta dessas novas mídias sociais. Ontem como hoje, o rádio continua forte, com uma linguagem que permite ver pelos ouvidos e que poderá VER de verdade, com os olhos mágicos da ciência, graças ao espantoso progresso tecnológico que está sacudindo o mundo. As novas ferramentas que estão à nossa disposição somente ajudarão o rádio a ser melhor. E a comunicação como um todo. Quem duvida?

    Gilson Souto Maior



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