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    07/04/2010

    Dia do Jornalista: para festejar, reivindicar ou passar batido?

    Símbolos de uma rotina. Fotos: internet. Montagem: Clara Torres

    Jornalistas de todo o país celebram (ou não) o dia 07 de abril como o Dia Nacional do Jornalista. Oficialmente cerca mais de 110 mil profissionais fazem parte da categoria (de acordo com o Google).

    Alguns acham que não tem motivo para comemorar, outros aproveitam a data para reivindicar interesses – como a regulamentação da profissão, por exemplo. Para os que gostam de festejar, uma desculpa nobre para cair na farra. Muitos passam mesmo é batido…

    Eu nem pensei na data, não marquei na agenda, não me enquadrei em nenhuma das iniciativas acima. Não passei batido porque no final das contas me lembrei…

    Na hora da lembrança me veio um pensamento quase que automático: por que me tornei jornalista mesmo? Não sei responder com exatidão. Não me lembro de ter tido nenhuma ideia altruísta de querer ajudar o próximo, de mudar o mundo. Não queria aparecer na TV – na época que me decidi achava que jornalista só escrevia em jornal impresso.

    Isso foi por volta dos 9 ou 10 anos. Minha mãe tinha uma coleção de enciclopédias cheias de fotos de cidades do mundo inteiro – imagens de lugares distantes, das metrópoles cheias de luzes, das paisagens mais selvagens que eu podia imaginar. Na verdade minha motivação foi egoísta. Eu queria viajar e conhecer todos aqueles lugares. E na minha cabeça o jornalista aprendia a falar inglês e saía conhecendo e escrevendo sobres as viagens.

    No fim das contas as portas da universidade se abrem (no melhor das hipóteses) e a gente vê que a realidade é bem diferente. Não vou desmistificar cada um dos mitos que eu vi se desfazer na minha jornada. Cada um conhece os seus e sabe do que estou falando. Mas no balanço final não me arrependo de nada. Até porque não sei fazer outra coisa.

    E quer saber mais? Eu viajei muito. Nem tantas vezes assim fisicamente, mas inúmeras metaforicamente. Cada vez que partimos em busca de contar a história de alguém – que esteja perto ou longe – conhecemos uma outra realidade de uma forma mais intensa – porque as pessoas nos confiam o melhor ou pior delas. Nos portamos dentro de situações “antes do que o mundo todo”, porque o restante espera que contemos e expliquemos. Por tudo isso e por razões que nem sei explicar, temos a ilusão de que conhecemos um pouco de tudo e de todos, mesmo sem sair do lugar.

    Como já comecei a conjeturar, prefiro deixar definições e especificidades para os mais experientes. Fiz uma seleção de frases que caracterizam esse ofício que mantêm relações conflituosas com a sociedade. Ao mesmo tempo que é alvo de bombardeios, também desperta paixões e fascina muitos…

    Frases sobre jornalismo (para sorrir, se emocionar ou se envergonhar)

    A melhor:

    “Quando um jornalista quer se suicidar, sobe em seu próprio ego e se atira lá de cima”. Anônimo.

    As mais dolorosas:

    “Jornalista é um homem que errou de profissão”. Otto Bismark.

    “Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data”. Luís Fernando Veríssimo.

    “O jornalismo é a arte de mentir sinceramente”. George Patino.

    “Médico acha que é Deus. Jornalista tem certeza”. Ricardo Noblat.

    “Alguns jornalistas são filhos da pauta”. Marcos Losekan.

    “A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro”. Noam Chomsky.

    “Eu não preciso ler jornais / Mentir sozinho eu sou capaz”. Raul Seixas.

    “O jornalista é um fofoqueiro profissional. Ganha (pouco) dinheiro para ouvir as coisas e contar pra todo mundo”. Ana Redig.

    “The press is depress”. Hunter Thompson.

    As mais críticas:

    “Jornalismo é tudo aquilo que consigo enfiar entre um anúncio e outro”. Barão de Beaverbrook.

    “Três jornais me fazem mais medo do que cem mil baionetas”. Napoleão Bonaporte.

    “A diferença entre o jornalismo e a literatura é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida”. Oscar Wilde.

    “A Imprensa não ganha eleição. Mas ajuda a perder”. Getúlio Vargas.

    “Os repórteres se dividem em três categorias: o repórter, que escreve o que viu; o repórter interpretativo, que escreve o que viu e o que ele acha que isso significa; e o repórter especialista, que escreve a respeito do significado do que ele não viu”. Abbott Joseph Liebling.

    “Trabalho pelo olfato. Quando sinto algo fedendo, vou atrás”. Drew Pearson.

    “A imprensa sensacionalista trabalha com emoções, da mesma forma que os regimes totalitários trabalham com o fanatismo”. Ciro Marcondes Filho.

    “Só existem duas maneiras de fazer carreira em jornalismo. Construindo uma boa reputação ou destruindo uma”. Tom Wolfe.

    “Sair na primeira página ou na página trinta depende do medo que eles têm de você”. Richard Nixon.

    “O jornalista é forte e poderoso não pelo bem que ele faz, mas pelo mal que pode fazer”. Ibrahim Sued.

    “O jornalista é um inquilino que frequenta um condomínio que não lhe pertence”. Theodor Adorno.

    As mais reflexivas:

    “Não há fatos, só interpretações”. Friedrich Nietzsche.

    “Quando um cachorro morde um homem, isso não interessa, porque acontece com freqüência. Mas se um homem morder um cachorro, o fato torna-se notícia”. John Bogart.

    “Quem mais manda na mídia é você, meu caro leitor ou espectador. E você, consumidor, é o mal da imprensa. Editores quebram a cabeça diariamente para agradá-lo. O mal da imprensa é que ela não ousa mais desagradar ao seu leitor. Simplicidade verbal não é sacrifício de complexidade. A glória da imprensa foi feita por gente com opiniões fortes e inconformistas”. Paulo Francis.

    “Jornalismo é o ato de contar a uma parte da sociedade o que a outra parte está fazendo”. Heródoto Barbeiro.

    “Imprensa é a arte de dizer que Lord Jones morreu a quem nunca soube que Lord Jones existiu”. Chesterton.

    “Repórter na redação, que não gosta de rua, de gente, da vida, é como trapezista com medo de altura: não funciona”. Narciso Kalili.

    Clara Torres

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